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31 dezembro, 2008

Resumo do Acordo Ortográfico

Após as quatro postagens sobre as alterações na língua portuguesa introduzidas pelo novo acordo ortográfico de 2008, apresento agora um resumo do itens abordados. Visualize ou faça o download para seu computador.

No link abaixo, você poderá fazer download de um quadro resumitivo das principais modificações da língua no Brasil trazidas pelo acordo ortográfico assinado este ano. Você poderá apenas visualizá-lo ou baixá-lo para seu computador e fazer consultas sempre que tiver alguma dúvida, também poderá imprimi-lo e colar em sua agenda ou caderno, ou, ainda, deixá-lo dentro de sua antiga gramática para consultas. (Extensão: xls;Tamanho: 18kb)
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21 novembro, 2008

Acordo Ortográfico Parte 4

Voltando a falar um pouco mais sobre as alterações introduzidas pelo novo acordo ortográfico, hoje vamos abordar o emprego do hífen, que sempre foi um probleminha para estudantes e até especialistas da área, pois não existem regras para todos os casos, sendo necessário, muitas vezes, consultar o dicionário para dirimir as dúvidas.

Basicamente as expressões compostas não sofrerão modificações. Ex.: ano-base, terça-feira, guarda-chuva, etc. Mas o acordo prevê o fenômeno da aglutinação e cita palavras que hoje já são grafadas sem hífen (girassol, mandachuva, pontapé), bem como exemplifica outras que, até então, eram escritas com hífen (paraquedas, paraqueditas, etc). Devido ao "etc", a questão fica em aberto. Por isso, será necessário aguardar as novas publicações de dicionários e do vocabulário ortográfico da língua portuguesa para se ter conhecimento de quais palavras compostas passarão a ser grafas sem hífen.
As principais modificações ocorrerão em relação àquelas palavras constituídas por prefixo. Então, vejamos as alterações:

a) Emprega-se o hífen nas formações cujos prefixos terminem na mesma vogal com que se inicia o segundo elemento. Ex.: auto-observação, micro-ondas, anti-inflamatório.
É importante observar que, em relação ao prefixo "co", o acordo afirma que a tendência é que ocorra a aglutinação, mesmo que o segundo elemento comece com a vogal "o". Ex.: coobrigação, coordenar.

b) Não será mais empregado o hífen nas formações cujos prefixos terminem em vogal diferente daquela com que se inicia o segundo elemento. Portanto, escreveremos sem hífen, por exemplo, as seguintes palavras: infraestrutura, extraoficial, autoescola, coeducação. Atenção! Se o segundo elemento começar por "h", o hífen será mantido: anti-herói, extra-humano.

c) Não será mais empregado o hífen nas formações cujos prefixos terminem em vogal e o segundo elemento comece com "r" ou "s", devendo essas letras serem dobradas. Ex.: antessala autorregulamentação, contrarregra. É bom ter cuidado para não sair por aí aglutinando todas as palavras cujos segundos elementos comecem com tais letras. É o caso daquelas em que o prefixo termia por "r" (hiper, inter e super). Logo permanecem com hífen: hiper-realista, inter-racial, super-resistente.

OBS.: As demais regras relativas ao emprego do hífen permanecem inalteradas.




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17 outubro, 2008

Acordo Ortogrático Parte 3

Vamos a mais algumas regras do novo Acordo Ortogrático? Hoje vou postar sobre acentuação. Entre outras novidades, você sabe como ficará o velho e conhecido acento diferencial?

Vamos falar primeiro sobre a dupla "oo". Alguns gramáticos classificam a estrutura como palavras paroxítonas terminadas em "oo", outros como encontro vocálico formando hiato. Não importa. O que sabemos é que você aprendeu que no encontro dessas duas vogais é colocado o acento circunflexo no primeiro "o", como em vôo, enjôo, etc. Com a modificação, você passará a escrever sem acento: voo, enjoo, moo, etc.

Outro acento abolido será o utilizado no encontro "ee" dos verbos crer, dar, ler e ver (e seus derivados), quando conjugados na 3ª pessoa do plural do presente do indicativo. Agora você escreverá assim: creem, deem, leem, veem, descreem, releem, etc.

O acento diferencial acaba, excetuando-se os casos que veremos a seguir. Portanto não será mais necessário escrever com acento, por exemplo, "pêlo" (substantivo) para diferenciar de "pelo" (preposição) ou de "pélo" (verbo pelar).
Assim, antes, por exemplo, você escrevia:
a) O pêlo do cão foi cortado.
b) Fomos pelo caminho mais curto.
c) Eu pélo meus animais de estimação.
Agora, em todas as orações acima, a grafia será "pelo".

Veja outros exemplos, sempre grafados sem o acento diferencial: para (preposição e 3ª pessoa do singular do presente do indicativo do verbo parar), pera (substantivo-fruta e substantivo 'pedra' no português antigo), polo (substantivo).
O acento diferencial permanece nos verbos "pôr" e "poder".
No primeiro caso para diferenciá-lo da preposição "por", evitando-se o sentido duplo. Observe o exemplo:
a) Vou pôr (o sofá) aí.
b) Vou por (esse caminho) aí.
Tanto no exemplo 'a', quanto no 'b', se as palavras que estão entre parênteses forem omitidas no texto, não será possível diferenciar o sentido das orações.
O mesmo acontece com o verbo "poder" se não incluirmos um elemento que indique o tempo em que ocorre ou ocorreu a ação:
a) Ele pode sair cedo.
Ele pode sair cedo hoje ou ele pôde sair cedo ontem? Como não é possível determinar o sentido, a presença do acento se faz necessária.
É importante lembrar que o novo acordo registra a possibilidade de se grafar com acento, facultativamente, a palavra "fôrma" (substantivo) a fim de difereniá-la de "forma"(substantivo e 3ª pessoa do singular do presente do indicatvo ou 2ª pessoa do singular do imperativo do verbo formar)

Antes de seguir, vamos fazer algumas breves observações:
Lembra-se do que é um radical em uma forma verbal? É simples! Basta retirar a terminação "ar", "er" ou "ir" do infinitivo de um verbo e se obtém o seu radical. Por exemplo: qual é o radical dos verbos cantar, receber e partir? Retiram-se suas terminações e surjem os radicais "cant", "receb" e "part".
E forma rizotônica, o que é? É aquela cuja sílaba tônica está no radical, como no verbo "falar" em "falo" e "falam". Enquanto que forma arrizotônica é aquela cuja sílaba tônica se encontra fora do radical, como em "falamos" e "falais".
Feitas essas definições, podemos continuar.

Não será mais utilizado o acento agudo no"u" tônico, nas formas verbais rizontônicas, quando precedido de "g" ou "q" e seguido de "e" ou "i". Há poucas formas verbais que se enquadram nesa regra, como "averiguar", "apaziguar", arguir". Então, em vez de se grafar "averigúe", "apazigúe" e argúem, deve-se escrever: "averigue", "apazigue" e "arguem".

Não receberá mais acento agudo o "i" e "u" tônicos precedidos de ditongos em palavras paroxítonas. Portanto a grafia será, por exemplo: feiura, Sauipe, etc.
Atenção! Nas palavras oxítonas, estando em posição final ou seguidas de "s", ocorrerá a acentuação. Por exemplo: Piauí, tuiuiús.

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06 setembro, 2008

Instituto Camões


O Instituto Camões (IC) é um instituto público integrado à administração indireta de Portugal. Tem como missão executar a política de ensino e divulgação da língua e cultura portuguesas no estrangeiro. Recebeu esse nome em homenagem ao poeta português Luís Vaz de Camões, autor de Os Lusíadas. Foi fundado em 1992 e sua sede fica na Rua Rodrigues Sampaio, 113, Lisboa, Portugal.
O IC oferece cursos a distância de língua portuguesa e literatura. No momento as inscrições estão abertas e se encerram no dia 30/09/08.


A partir de 08/09/08, o Instituto estará recebendo inscrições para os cursos abaixo relacionados. Caso você tenha interesse, acesse aqui o site do IC. Se preferir atividades presenciais, há o Centro Cultural Português em Brasília, localizado na Embaixada de Portugal, onde são promovidos serões literários, exposições, lançamento de livros e realização de concertos, contando também com uma biblioteca cujo acervo é de 12.000 volumes. Acesse o site aqui.
Cursos:
Estudos Pós-Coloniais: Atlânticos Sul;
Ensino e Aprendizagem do Português Língua Segunda;
Tradução e Tecnologias de Informação Lingüística;
Literaturas Africanas de Língua Portuguesa;
Laboratório de Escrita Criativa - Nível Introdutório;
Laboratório de Escrita Jornalística;
Português para Estrangeiros Nível 1, 2 e 3;
Materias Interativos para Português Língua Segunda na web 2.0.

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05 setembro, 2008

Acordo Ortográfico Parte 2

Depois de apresentar alguns dados sobre o histórico do novo acordo ortográfico da língua portuguesa, dou prosseguimento às orientações sobre as novas regras. Hoje postarei o que foi alterado em relação ao alfabeto, ao trema e à parte de acentuação.

Em relação ao alfabeto, é muito simples. Oficialmente, ele era composto de 23 letras, mas na prática nós já usávamos 26. Toda vez que escrevíamos algumas palavras originárias de outras línguas, como Darwin, Byron, km, kw (símbolos de quilometro e quilowatt), por exemplo, utilizávamos, sem nenhum constrangimento, as letras k, w e y. Agora elas foram incorporadas ao nosso alfabeto.

Algumas pessoas já haviam abolido o trema (aqueles dois pontos colocados sobre o u átono e pronunciado nos grupos "que, que, gue e gui", como em lingüiça) por puro desconhecimento, mas agora ele será eliminado mesmo, Logo, quando o acordo estiver vigorando, ao escrevermos qüinqüênio, argüição e tantas outras palavras, não usaremos mais esse sinal gráfico. Até aqui "tranqüilo", né? Mas atenção: quando se tratar de nomes próprios e seus derivados o trema continua, como em Müller e mülleriano.

Então, vamos seguir com as novidades em acentuação. Lembra-se o que é um ditongo? Sem muitas complexidades, o ditongo é o encontro de uma vogal com uma semivogal em uma mesma sílaba. Assim, os ditongos aparecem em diversas palavras de nossa língua, como em réu, assembléia, idéia, herói, anéis, meu, doido, rei, etc. E a regra de acentuação diz que os ditongos eu, ei e oi são acentuados quando forem tônicos e abertos, por isso os três últimos exemplos acima não receberam acento, pois eles são fechados. Com o novo acordo, a orientação é que não serão mais acentuados graficamente os ditongos representados por ei e oi da sílaba tônica das palavras paroxítonas. Portanto, esses mesmos encontros vocálicos em palavras oxítonas ou monossílabas serão acentuadas. Assim, o novo acordo elimina o acento, por exemplo, nas seguintes palavras: assembleia, ideia e jiboia. Mas permanecem acentuadas graficamente: herói, anéis, dói, etc, bem como aquelas constituídas pelo ditongo eu aberto, como em chapéu.

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17 agosto, 2008

Acordo Ortográfico Parte 1

A partir de hoje vou postar alguns artigos sobre as alterações por que passará nossa língua portuguesa. É isso mesmo, vamos ter mudanças e elas, tecnicamente, já estão valendo.

No mundo existem 8 países que adotam a língua portuguesa como língua oficial. São eles: Brasil, Portugal, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Timor-Leste. Mas há um detalhe muito importante. Apesar de ser a mesma língua, existem duas escritas diferentes, a utilizada no Brasil e a utilizada no restante dos países. Esse fato se deve à realização, em 1911, de uma reforma ortográfica em Portugal que não ocorreu no Brasil.
A existência de duas grafias gera alguns obstáculos na difusão cultural e de informação, nas relações comerciais e também na capacidade de afirmação do idioma.

Para solucionar esses problemas, entre outros objetivos, em novembro de 1989 ocorreu o primeiro encontro de Chefes de Estado e de Governo dos países de Língua Portuguesa em São Luís do Maranhão. Participaram os países acima relacionados, exceto Timor-Leste que se tornou independente anos depois. Dali nasceu a idéia do acordo e também da criação da CPLP (Comunidade dos Países da Língua Portuguesa), ocorrida em 1994.
Assim, em 16 de dezembro de 1990 foi assinado o acordo ortográfico que entraria em vigor em 1994. Mas isso não foi possível, então foram assinados mais dois protocolos. O primeiro extendeu o prazo para entrada em vigor (que não foi cumprido) e o segundo, prevendo-se a demora da ratificação por todos os Estados signatários, determinou que o acordo entraria em vigor com a ratificação de no mínimo três Estados.
Bem, em dezembro de 2006 três Estados haviam ratificado: Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, portanto o acordo ortográfico passou a ser uma realidade a partir dali. E em maio de 2008, Portugal também aprovou o acordo.

Agora explico melhor porque lá no primeiro parágrafo da postagem coloquei que as mudanças já estavam valendo "tecnicamente". O acordo previa sua entrada em vigor após a adesão de três Estados, logo ele existe, mas cada país determinará a data em que "na prática" as mudanças passarão a vigorar. Circulam informações que em setembro deste ano o Presidente Lula assinará o acordo na Academia Brasileira de Letras e que em 1º de janeiro de 2009 ele assinará uma minuta a respeito do assunto. Enfim, o que é certo até agora é que o Brasil adotará a unificação em 2011 e Portugal a partir de 2014.

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